tem no Outono uma luz

Porto Alegre mostra a estação bem definida ao pisarmos em “folhas levadas”, ao tomarmos golpes de vento caminhando pelas ruas do Centro Histórico. Porto Alegre apresenta um sentimento outonal, de encasulamento, ao mesmo tempo em que as pessoas sentem a vontade de lagartear ao sol, vem o desejo de se recolher, de um pouco hibernar, de tomar chocolate quente, de estar entre amigos, de apreciar o fogo, de suscitar o lado intelectual.

Textos que exprimem Porto Alegre nesta estética do frio:

Outono em Porto Alegre

Nem tudo está perdido
nem sinal de pedra no peito
o horóscopo do jornal arriscou “um belo dia”
liguei o rádio na hora certa
era a canção que eu queria

Nem tudo está perdido
tudo em paz no reino da química
ninguém me telefonou enquanto eu dormia
sonhei com meu pai e ele sorria
chimarrão pra acordar era só o que eu queria

Veja você… que surpresa… que coisa incrível
descobri que sou feliz
veja você… quem diria.. que ironia
sem você eu sou feliz.
nem tudo está perdido
outono em Porto Alegre
sou o dono dos meus passos sobre folhas mortas
o mundo fica pra outro dia
andar por aí era tudo que eu queria

Veja você… que supresa… que coisa incrível
descobri que sou feliz
veja você… quem diria… que ironia
sem você eu sou feliz

Porto Alegre é demais

Porto Alegre é que tem
Um jeito legal
É lá que as gurias etc… e tal

Nas manhãs de domingo
Esperando o Gre-Nal
Passear pelo Brique
Num alto astral

Porto Alegre me faz
Tão Sentimental
Porto Alegre me dói
Não diga a ninguém
Porto Alegre me tem
Não leve a mal
A saudade é demais
É lá que eu vivo em paz

Quem dera eu pudesse
Ligar o rádio e ouvir
Uma nova canção
Do Kleiton e Kledir

Andar pelos bares
Nas noites de abril
Roubar de repente
Um beijo vadio

Porto Alegre me faz
Tão Sentimental
Porto Alegre me dói
Não diga a ninguém
Porto Alegre me tem
Não leve a mal
A saudade é demais
É lá que eu vivo em paz

Porto Alegre me dói
Não diga a ninguém
Porto Alegre me tem
Não leve a mal
A saudade é demais
É lá que eu vivo em paz

Porto Alegre é demais!

Pegadas

Nas pegadas das minhas botas
Trago as ruas de Porto Alegre
E na cidade dos meus versos
O sonho dos meus amigos

Caminhando pelas ruas de
uma cidade americana
Eu percebo que não quero migalhas
Nem tampouco medalhas
Isso tudo é ilusão

Vendo as mesmas mentiras
num país desenvolvido
Armado até os dentes para a guerra
Me dói o coração
Perceber a situação em que estamos
envolvidos sem perspectivas
De qualquer solução

Nas pegadas das minhas botas
Trago as ruas de Porto Alegre
E na cidade dos meus versos
O sonho dos meus amigos

É quando eu penso na razão que nos leva a acreditar
Que estamos mudando um país
Uma voz vem lá de dentro e me diz
Que o sistema no fundo é o mesmo
e em nós se perpetua
E não cabe mais aqui e agora
essa máquina que nos fez aprendiz
De um poder vagabundo

Nas pegadas das minhas botas
Trago as ruas de Porto Alegre
E na cidade dos meus versos
O sonho dos meus amigos

E não podemos mais
desperdiçar energia
Com uma vazia retórica estética
amordaçando o grito de um coração
Que luta contra toda falta de perspectiva
e informação do pensamento
Abatido pelos mísseis imperialistas
dentro de sua própria nação
com toda falta de cultura, sensibilidade,
amor, respeito e educação

Nas pegadas das minhas botas
Trago as ruas de Porto Alegre
E na cidade dos meus versos
O sonho dos meus amigos
E fico puto ao constatar que
desperdiçamos tempo parados em segredo
Bebendo no bar que nos feriu
a memória e nos tirou a força humana
O único sentido de revolução do ser
O objetivo intrínseco de um homem
novo de qualquer geração
Para toda e qualquer falta de possibilidade
Tem que haver reação

Nas pegadas das minhas botas
Trago as ruas de Porto Alegre
E na cidade dos meus versos
O sonho dos meus amigos

E agora eu sei que o que nos ensinou a esperar inutilmente
Foi a burocracia, o misticismo e a religião
Esperar por deus, por alimento e pão
Esperar que as coisas mudem num próximo momento
E eu atento contra a culpa e o sofrimento
judaico-cristão
Contra toda dúvida e medo
Com muita insatisfação

Nas pegadas das minhas botas
Trago as ruas de Porto Alegre
E na cidade dos meus versos
O sonho dos meus amigos

Caminhando pelas ruas de uma cidade americana
Eu lembro o poeta Duclós que disse: “estar a salvo
não é se salvar”
E eu complementaria, hoje em dia
se sentir salvo é esperar pela salvação
E nada nos salvará
Um dia, ainda, nos aniquilarão
Parodiando Russians do Sting
eu também diria, então:
Espero que os brasileiros amem seus filhos,
de coração!

Nas pegadas das minhas botas
Trago as ruas de Porto Alegre
E na cidade dos meus versos
O sonho dos meus amigos.

//
O Mapa
Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo…

(E nem que fosse o meu corpo!)

Sinto uma dor infinita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei…

Há tanta esquina esquisita,
Tanta nuança de paredes,
Há tanta moça bonita
Nas ruas que não andei
(E ha uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei…)

Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso

Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)

E talvez de meu repouso…

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